terça-feira, 27 de julho de 2010

re-mind-me


"You remind me of a former love, that I once knew.
And you carry a little piece with you."



"Bem, tudo isso depende
de sua qualificação de amigos."
By Panic!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Mystery Book


a h l o c s e


              L u z
   T e m po          E s c u r i d ã o
           M i s t é r i o

Pequeno é o gato, grande o sapato. Retire as luvas e o chapéu, mas nunca esqueça de lavar os pratos. Onde está a charada? Onde está a solução?

I l u / P e r s u a / s ã o ?







A esfinge:
Se gato preto é boa sorte, olho claro é alegria.
Dentro do livro tu tens morte, vida, ou ventania?


terça-feira, 20 de julho de 2010

3 tigres

Eram três livros enormes, pesava, entortava o corpo frágil de menino leve. Cada um pesava um mundo, com um peso leve e disfarçado. Em cada capa havia uma pena, simbolizando a leveza de seu conteúdo, enquanto suas dimensões físicas provavam o contrário.
Era claro que o garoto acreditaria na capa, a pena era enormemente leve, qualquer um flutuaria só de vê-las.
O que a princípio parecia ser uma tarefa manual, acabou se transformando em uma brincadeira. Quase um jogo. Algumas vezes não carregava nada, mesmo achando que não fosse pesar, as poucas três penas se transformavam em pavões, caudas enormes, se arrastando pelas páginas cada vez mais infinitas, impossível tentar um transporte. Ao acordar, havia um livro de bolso na cabeceira da cama com uma pluma leve na capa.
Assim, aos poucos, o menino conseguiu carregar todos para sua toca, como uma criança e seu baú. Tocava pouco neles, tinha medo de crescerem e engoli-lo, mas tocava. Tinha medo de rasgar, medo de não entender. Um dia escolheu um aleatoriamente, abriu-o, seus olhos grandes e atentos percorreram a primeira página em branco, nenhum sinal de vida, respirou fundo, passou a página. Mais uma página em branco, ficou com medo, descansou os olhos e na terceira página leu o título, ficou fascinado, guardou para si como se aquele livro fosse único, pois sabia que era mesmo. Fechou o livro, pensou ter lido demais, guardou-o, foi embora.

Semanas depois o garoto retorna, olha para os livros, encontra três tigres dormindo, em uma caixa pequena. Olha atentamente, como se nunca tivesse visto algo parecido, seu guarda-roupa virara uma jaula, sem uma pena sequer. Os tigres às vezes acordavam, faziam exigências "Fecha a porta", "Não me olhe com essa cara de medo", "Você não vai tocar em mim", "Nos deixe em paz".
O garoto não mais toca na porta, os tigres ficaram com fome, querem sair, já devoraram todos os seus poemas, continuam famintos.

baú



I want to forget myself with you today
Keep inside that box all the games we've played
Don't be so shy, you're more than one
And I promise you, I won't...
I won't forget about that...

Don't let me die here now
Don' let me die here
I know it has to be cold
So don't try to look to my...
Oh!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

ú d - v i d a



Você.
Ue oãn ies.
Eu sei.
Quando?
Onde?
Por quê?

Saber. Eu.
Não. Ies.
Mis. Quero.
Êcov.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

eu não sei dançar

eu não sei dançar muito
mas gosto do jeito que você dança
acho que poderíamos tentar uma música
sem medo de pisar nos pés ou até mesmo tropeçar

vamos perder a dança
por não saber como dançar
quando você já mexe comigo
e eu consigo sentir seu corpo vibrar

sexta-feira, 9 de julho de 2010

confissão invertida

-

"Eu acordei com vontade de dizer que se você não existisse eu seria um homem solitário, faltaria você, que é quase um vício. Que aprecio cada momento que passo junto a você, mesmo que não perceba. Que suas palavras sempre me soam misteriosas e crueis e isso é admirável. Qualquer coisa que se refira à beleza me lembra você."



Gregorius Alcott.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

adeus

alguns fios brancos refletiam a luz fraca da sala de jantar, era mesmo o sorriso que iluminava o ambiente, não existia lâmpada tão forte e tão alva. assim como há anos, era uma noite qualquer, mais um sorriso, mais pão, mais café. tudo se somava em quantidades ordinariamente comuns. a esposa nem deu o beijo de despedida, era uma viagem curta, abraçou-o e deu sua bênção, bênção essa que só quem é mãe pode dar. ungido, seguiu iluminado por uma lua turva e por amarelos-postes irregulares, seguiu estrelas que nem se via, era chuva. abençoado mais uma vez, por chuva, se foi, sem pensar em muita coisa, não passava de uma viagem comum: rádio de fundo, pé no acelerador, tosse, espirro, sono.
sinto em interromper a história, contudo acompanhei pedaços, talvez eu tenha cochilado, por fim acordei . apesar das telhas, portas, janelas, paredes, cobertas, e todas as demais barreiras físicas, me senti à noite no deserto. não me senti em pé, nem sentado, eu era um ponto que congelava no deserto, acordado em pleno dia, e como qualquer ponto não existia posição. as pernas, mesmo sem saber que eu andava, fraquejavam, percebi o desequilíbrio ao observar o chão se aproximando e se afastando, tudo muito lento, afinal não se rasga um corpo por completo de uma só vez.
o carro, a terra, o vento, tudo chegava ao mesmo tempo no meu rosto, minha face congelou. não movia um músculo: enquanto o vento mantinha meus olhos abertos, o farol do carro me cegava e a terra arranhava tudo que poderia ser visto. o acidente chegava cada vez mais perto de mim, até que entrou, se apossou, capotou em mim, rasgando o que podia e arranhando o que aparentemente estava ileso.
são tantos olhos em cima de mim, nenhum me vê. não estou ali.




fonte.

sábado, 3 de julho de 2010