terça-feira, 8 de dezembro de 2009

sobre idéias idiotas


- Nada. Esqueça.
- Hum... por um momento achei que você faria alguma coisa diferente de perguntar e traria alguma resposta. Esperei demais, não é?
- É... esperou... esquece! Foi uma idéia idiota.
- Ora, não fique assim emburrada. Todos temos idéias idiotas. Fiquei preso em uma durante meses! Pelo menos você libertou-se em menos de cinco minutos.
- E fiquei presa em tão pouco tempo...
- Essa caminhada não está fazendo bem para você. Veja, não está mais falando coisa com coisa e ainda está atrapalhando minha cabeça. Já tem sua história. Tudo acabou naquela casa e agora eu preciso de paz. Não consigo descansar enquanto estou preocupado com você.
- A casa não foi um fim...
- Acha que ela ainda volta?
- Não. Você parece decidido.
- Ótimo. Este é um bom fim. Acrescente mais algumas idéias para deixar a história mais... bonita. E pronto.
- Acrescentar algumas de minhas idéias idiotas?
- Oh! Pare com isso. E idéias idiotas podem ser bem interessantes ou divertidas. Vamos, fale-me sobre suas idéias.
- Penso em um novo começo, talvez.
-Um novo começo? Agora? Realmente é uma idéia bem idiota!
- É... eu sei... foi uma idéia idiota que deveria ter permanecido comigo apenas.
- Mas...
- ... ?
- Não deixa de ser tentadora também...

sábado, 5 de dezembro de 2009

Penso tanto tempo que... tentei




Pensei que poderia continuar
Nada demais, talvez apenas seguir
Pensava que era só querer falar
Mas, eu não conseguia sorrir

Penso, penso, penso, penso
Caminho para o que acho que vejo
Ilusões combinam com seu senso
Apenas criação de um falso desejo

...

- Entendo, entendo... você precisa descansar um pouco agora.
- Não vamos chegar nunca se continuarmos assim.
- Se eu deixar você seguir desse jeito...
- O que faz aqui ainda? Já não tem uma boa história?
- Não sei o que fazer sozinha com isso.
- Bom... eu não quero mais essa história.
- Não sei o que fazer sozinha...
- E eu não sei o que fazer com você...

...

- Eu tenho uma idéia...
- Hã?


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Fim

PM 06:45

- Você vai ficar aí apenas...
- Olhando. Sim.
- Eu não me sinto confortável!
- Foi o combinado, não?
- Sim, foi... mas... não era bem o que eu queria! Você sabe que...
- Não, eu não sei. Nunca soube e não...
- O quê? Você quer me ver gritar que eu...
- E não vai adiantar nada agora.
- Por quê? Como você não consegue perceber que estou completamente...
- Perdendo seu tempo. Tenho apenas mais cinco minutos.
- Vai embora, então! Deixe-me em paz, pelo menos!
- Eu já fui. Você chamou novamente. Combinamos tudo. E agora temos mais três minutos.
- Vai logo! Não precisa ficar! Vai!
- Calma.. logo, logo... eu ainda não acabei.
- O que está fazendo?
- Olhando. Lembrando... saindo...
- Não entendo. Estou aqui! Eu amo você! Por que não acredita em mim? O que eu tenho que fazer para...
- Você já fez.
- Hã?
- Tenho que ir... fica bem... não faz besteira!
- Espera! Você não pode sair sem me dizer se...
- Acabou.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Alternativa



segunda-feira, 30 de novembro de 2009

sem nome


embrulhei aqui o meu amor (e o teu)
nossa história
até hoje e daqui pra frente

se um dia não me amares mais
podes abrir este embrulho
e soltar ao vento
tudo o que contém

mas enquanto o amor durar
mantenha-o seguro, protegido
a salvo.

sábado, 28 de novembro de 2009

infância (parte 1)

_Não, não pode ser assim... Mas é exatamente assim, como pode? Tem suas explicações lógicas... O tempo, o tempo... O tempo está me roubando a vida, parece que quanto mais eu acelero menos tempo me resta. Lembro que quando menino encontrei um pote amarelado de talco que dizia "válido até novembro de 1997" e fiquei pensando o quão antigo deveria ser, já que para mim as datas de validades eram fantasias, uma maneira de cumprir regras, inalcansáveis, e aquele talco havia passado do prazo de validade por descaso, desleixo. Lembro, também, de ter encontrado uma caxinha branca e azul de remédio, vazia, e que dizia "válido até 2005" e pensei "2005, um remédio nunca vai chegar em 2005, daqui a sete anos, oh Deus... sete anos..." O tempo passou e quantos remédios em 2005 passaram da validade? Quantos e quantos talcos se perderam por descaso? Era bom o tempo em que o tempo era eterno, que o amanhã demorava de chegar, o tempo em que ir à escola era viajar pelo mundo, mundo grande, imenso, eterno. Agora tenho que trabalhar, pagar contas, contas, contas, e nada me sobra: raras festas, raros momentos felizes, momentos estes que duram milésimos de segundos, momentos rápidos o suficiente para não ter tempo de expressar em um sorriso a fulgás alegria. Bom mesmo é ser criança, dormir no colo da mãe quando se tem medo, se esconder dentro do armário como se nada no mundo pudesse atravessar aquela fina camada de madeira envernizada...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Parabéns Luc!