terça-feira, 20 de julho de 2010

baú



I want to forget myself with you today
Keep inside that box all the games we've played
Don't be so shy, you're more than one
And I promise you, I won't...
I won't forget about that...

Don't let me die here now
Don' let me die here
I know it has to be cold
So don't try to look to my...
Oh!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

ú d - v i d a



Você.
Ue oãn ies.
Eu sei.
Quando?
Onde?
Por quê?

Saber. Eu.
Não. Ies.
Mis. Quero.
Êcov.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

eu não sei dançar

eu não sei dançar muito
mas gosto do jeito que você dança
acho que poderíamos tentar uma música
sem medo de pisar nos pés ou até mesmo tropeçar

vamos perder a dança
por não saber como dançar
quando você já mexe comigo
e eu consigo sentir seu corpo vibrar

sexta-feira, 9 de julho de 2010

confissão invertida

-

"Eu acordei com vontade de dizer que se você não existisse eu seria um homem solitário, faltaria você, que é quase um vício. Que aprecio cada momento que passo junto a você, mesmo que não perceba. Que suas palavras sempre me soam misteriosas e crueis e isso é admirável. Qualquer coisa que se refira à beleza me lembra você."



Gregorius Alcott.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

adeus

alguns fios brancos refletiam a luz fraca da sala de jantar, era mesmo o sorriso que iluminava o ambiente, não existia lâmpada tão forte e tão alva. assim como há anos, era uma noite qualquer, mais um sorriso, mais pão, mais café. tudo se somava em quantidades ordinariamente comuns. a esposa nem deu o beijo de despedida, era uma viagem curta, abraçou-o e deu sua bênção, bênção essa que só quem é mãe pode dar. ungido, seguiu iluminado por uma lua turva e por amarelos-postes irregulares, seguiu estrelas que nem se via, era chuva. abençoado mais uma vez, por chuva, se foi, sem pensar em muita coisa, não passava de uma viagem comum: rádio de fundo, pé no acelerador, tosse, espirro, sono.
sinto em interromper a história, contudo acompanhei pedaços, talvez eu tenha cochilado, por fim acordei nú. apesar das telhas, portas, janelas, paredes, cobertas, e todas as demais barreiras físicas, me senti nú à noite no deserto. não me senti em pé, nem sentado, eu era um ponto que congelava no deserto, acordado em pleno dia, e como qualquer ponto não existia posição. as pernas, mesmo sem saber que eu andava, fraquejavam, percebi o desequilíbrio ao observar o chão se aproximando e se afastando, tudo muito lento, afinal não se rasga um corpo por completo de uma só vez.
o carro, a terra, o vento, tudo chegava ao mesmo tempo no meu rosto, minha face congelou. não movia um músculo: enquanto o vento mantinha meus olhos abertos, o farol do carro me cegava e a terra arranhava tudo que poderia ser visto. o acidente chegava cada vez mais perto de mim, até que entrou, se apossou, capotou em mim, rasgando o que podia e arranhando o que aparentemente estava ileso.
são tantos olhos em cima de mim, nenhum me vê. não estou ali.




fonte.