sábado, 21 de maio de 2011

"I'll Try Anything Once"



a música começou a tocar
sim, esta é aquela música
você pegou em minha mão
e trouxe ela para perto do seu peito


"eu adoro essa música"
não era bem harmonioso
estamos nos conhecendo melhor
alguns medos e desafios grandes


"eu também"
mas você me acalma
perco as palavras
conseguimos nos entender
e eu me sinto tão bem


"Why not try it all,
if you only remember it once"
.

domingo, 8 de maio de 2011

inquieto


poderia dizer que foi uma busca
só, parado, para estar aqui e também fora
as palavras apenas tentaram aliviar um pouco
todos os pensamentos debatendo-se e querendo ir

embora eu queira ficar
embora não tenha espaço
embora você continue a olhar
e eu já não sei bem o que faço

onde está você agora
onde eu já estou há horas

onde estamos
ainda molha...


quarta-feira, 4 de maio de 2011

nublado


Eu subo rápido demais e quando vejo eu já me precipitei no asfalto. É por isso que eu prefiro continuar lá no alto, seguro. Mas eu preciso ser parte, estar com, cuidar de e crescer. É a minha necessidade de ser vida, morrendo um pouco após cada ciclo. Então eu continuo me precipitando, e sem arrependimento, mesmo que para sentir apenas o impacto.


domingo, 24 de abril de 2011

(já na porta do taxi)

-um só minuto! você está pronto?
-pronto?
-sim. é muito sangue, é muito. jorra.
-como assim sangue? do que você fala?
-está pronto?
-eu preciso saber para quê, de quê? você poderia me dar um "quê" sequer?
-eu posso te dar sangue, entenda.
...

(ao dar partida o táxi, o vidro traseiro se abre)

-estou pronto.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

urbano



a cidade é pequena para tantos passos
e não há lugar seguro para sinceridade
existe um caminho longo de terra batida
e no coração uma tentativa de concreto
que em nada ajuda, além de endurecer
e provavelmente estaria tudo asfaltado
se não fosse um sentimento que não sei



segunda-feira, 11 de abril de 2011

não sei


hum... não sei se você sabe
mas enquanto eu não sei
saiba que o que eu quero
é apenas saber o quanto
você sabe que eu gosto
de saber que você quer

sim, sim, nós dois sabemos e
mais nada precisamos saber
além do que quero que saiba
para você poder dizer "eu sei"


domingo, 10 de abril de 2011

carta para a segunda letra


eu não odeio você

este não é mais um dos meus jogos de palavras feitos para encantar. ou até mesmo um daqueles feito para perder-lhe. eles nunca deram muito certo e funcionavam de forma inversa, como prisão.

não entendo a sua raiva, compreendo sua paixão, aceito sua fúria, e desprezo sua comunicação. acredito que suas respostas prontas de folhetim fazem muito mais sentido agora em uma revelada alma carente. nenhum afeto será suficiente enquanto preferir o conforto de um abraço em amargura.

não tenho fôlego para gritar e de nada adiantaria contra seus ouvidos repletos de ressentimento. eu só não gostaria de continuar a ver você afogando-se em ódio. por isso, gostaria de deixar claro.

para odiar eu precisaria amar muito.
e eu não amo você.